sábado, 4 de fevereiro de 2017

13:13


Eu te amei muito um dia. Contrariando a previsão de todos que me julgavam dura demais para amar, eu te amei. Eu te amei tanto que doía a remota possibilidade de nunca mais te ver. Eu te amei e esse amor deixava meus dias mais fáceis e minha existência mais leve, apenas pela certeza de querer bem a alguém e esse alguém me querer bem de volta. 

Talvez não seja justo eu te culpar por isso, mas quando meu amor por você foi sendo machucado e o senti diminuindo, eu tive ódio por você levar uma das poucas coisas boas que eu tinha. Agora eu odeio não te amar mais, eu te odeio por não ter cuidado da gente.

Porque o que tínhamos era bem aquela definição de Coríntios 13: paciente, benigno, não era invejoso, não se vangloriava e nem se ensoberbecia; não era egoísta, não se irritava, não suspeitava o mal; era justo e verdadeiro. Mas, por mais que eu quisesse que ele também encaixasse ao versículo que diz que o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta, o meu não era indestrutível. E te culpo por ter visto eu deixar de te amar aos pouquinhos e só ter feito algo quando era tarde demais.

Eu te odeio por ter assistido pacífico minha paz se esvair. Ela se foi e em seu lugar ficou um monte de nada, que coisa alguma preenche. Então hoje eu te culpo e te odeio por me sentir vazia e não conseguir amar a mais ninguém. Nem a mim mesma.

Um comentário:

  1. Antes de ir você me aconselhou: "cuidado, porque no desespero de preencher vazios, a gente enxerga amor onde não há." Eu calei, não agradeci o alerta, tampouco transpareci dar importância a ele, mas soube com cada partícula do meu ser que você estava certo. e falava diretamente a mim com a autoridade de quem sabia ler cada ruga da minha testa. De quem sabe interpretar a mínima nuance no meu tom de voz. De quem vê nos meus olhos o que nem mesmo eu sou capaz de enxergar... Você, perito em mim, sabia dos meus conflitos mais do que eu. Como ousa?

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